Original em inglês
Tradução · Rodolfo Abachi
Before there stood gods upon Olympus, or ever Allah was Allah, had wrought and rested Māna-Yood-Sushāī. There are in Pegāna Mung and Sish and Kib, and the maker of all small gods, who is Māna-Yood-Sushāī. How shall I speak of Māna-Yood-Sushāī? He made the gods and then forgot, and was overcome by sleep. And the gods dance, and dance, and dance, and do not wake him; for if Māna-Yood-Sushāī wake they are afraid. For they say — "Lest he should make more gods, or lest, being weary of all, he rest again."
Antes que deuses pisassem o Olimpo, ou que Alá fosse Alá, já havia criado e repousado Māna-Yood-Sushāī. Em Pegāna existem Mung, Sish e Kib, e o criador de todos os deuses menores, que é Māna-Yood-Sushāī. Como falar de Māna-Yood-Sushāī? Ele criou os deuses e depois esqueceu, e foi vencido pelo sono. E os deuses dançam, e dançam, e dançam, e não o despertam; pois se Māna-Yood-Sushāī acordar, eles têm medo. Porque dizem: "Que ele não venha a criar mais deuses — ou que, cansado de tudo, adormeça de novo."
Notas de tradução
Nomes próprios inventados
Māna-Yood-Sushāī, Mung, Sish, Kib e Pegāna foram mantidos integralmente, incluindo os diacríticos. Adaptar foneticamente destruiria o estranhamento arquitetado por Dunsany — o exotismo dos nomes é parte essencial da cosmologia que ele constrói.
Inversão sintática arcaizante
O original usa "had wrought and rested Māna-Yood-Sushāī" — inversão que soa bíblica em inglês. Em PT-BR, "já havia criado e repousado Māna-Yood-Sushāī" preserva a solenidade sem recorrer a arcaísmos forçados como "haverá criado" ou "criara e repousara".
Repetição ritual
"Dance, and dance, and dance" é uma figura de acumulação ritual — quase um encantamento. Manter "dançam, e dançam, e dançam" sem condensar em "dançam sem parar" preserva o efeito hipnótico que é central ao estilo de Dunsany.
O discurso indireto final
O trecho entre aspas no original funciona como um pensamento coletivo dos deuses, não uma citação. Traduzi mantendo o tom de sussurro temeroso — "Que ele não venha a criar…" — em vez de "Para que não crie", que soaria mais neutro e perderia a ambiguidade entre desejo e medo.